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A verdadeira dimensão da política (d' A Vida na Terra)

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 31.08.15

Por esta altura, caros Viajantes, já perceberam que a política é a área que mais me inspira. É que a política é muito mais do que a politiquice que nos rodeia.


Qual é a verdadeira dimensão da política? E o que é a verdadeira política?


A política é a gestão do colectivo e tudo o que a envolve, desde uma pequena comunidade, uma cidade, uma freguesia, até ao país, à Europa comunitária.

A política implica decisões que têm consequências no colectivo, na vida das pessoas e no seu futuro. 

As decisões são, pois, fundamentais e de grande responsabilidade. Seguem prioridades, que, por sua vez, seguem valores, uma ideia de comunidade, de organização social ideal, e implicam escolhas.


A nossa politiquice, seja a nível do país seja a nível da Europa comunitária, optou pela gestão financeira, colocar a economia a pedalar para a finança, e desequilibraram a organização social, a vida das pessoas e o seu futuro.

Agora vêm-nos falar de reequilíbrio social: reduzir as desigualdades sociais. Alguém acredita?

É que não é assim que se fazem as cousas. Ah, precisamos de um Gil Vicente para desfazer a nossa politiquice...


Quando ouvirem as propostas da coligação, à dimensão da politiquice e não da verdadeira política, reparem no formato do marketing (é uma lição sobre marketing), no seu colorido, no refrão (que se decora facilmente). Essa é a única mensagem válida: não é com vinagre que se apanham moscas.

Imaginem estas personagens que vão falar à universidade de Verão, a ensaiar ao espelho lá em casa, palavra por palavra, expressão facial, sorriso confiante, gestos convincentes. Reparem que são apenas personagens de uma série de televisão, cozinhada e enlatada previamente. E como as suas frases até têm deixas para a reacção do público (aqui é para rir, por exemplo).    


Quando se coloca a economia a pedalar para a finança, portanto, dependente da finança, está a fazer-se uma escolha de organização social e a arriscar as vidas das pessoas e o seu futuro num modelo em tudo instável e perigoso. Porque serão sempre as pessoas a pagar a factura no fim da linha.


Precisamos de uma nova cultura política, de uma nova gestão do colectivo, de novos modelos que procurem, desde o início, o equilíbrio. 

O equilíbrio está na génese do modelo, não é qualquer coisa que agora vamos fazer, umas medidas avulsas para enganar papalvos.


Precisamos igualmente de inventar uma nova economia, que não dependa da lógica selvagem, instável, desequilibrada da finança.

 

 

 

 

 

publicado às 18:32

E um belo dia ouvimos na televisão o impensável em adultos responsáveis: se ganharmos as eleições damos-vos um prémio... as empresas de rating estão à espera de ver quem ganha...


Conseguem imaginar o riso que terá acompanhado a elaboração deste folheto de propaganda a que chamaram programa?

País mais competitivo do mundo daqui a 4 anos?

Descer a dívida para 107% do PIB?

Basta ver estas duas promessas para se perceber o que pretendem fazer.


Mas analisemos a primeira: país competitivo.

Com o serviço da dívida? E com uma das energias mais caras da Europa? E com as fraudes financeiras? E com as falhas na supervisão bancária? E com os recursos públicos nas mãos de privados estrangeiros? E com grandes grupos a pagar impostos noutros países? E com a grande evasão fiscal? E com os paraísos fiscais no coração da Europa?

Estes são constrangimentos que impedem o país, logo à partida, de ser competitivo.


A não ser... que o valor trabalho desça ainda mais.

Será por isso que o nível do desemprego não pode descer muito mais, tal como nos está a querer mentalizar o FMI?

Mas isso não nos irão dizer. 


Não sendo esta propaganda minimamente credível, é evidente que não podem apresentar números, nem estudos, nem projecções.


Os portugueses aceitaram a austeridade porque assumiram a dívida que contraíram em seu nome, como sua. E porque acreditaram na lógica dos benefícios da austeridade e na ausência de alternativa.

Foi assim que a coligação se apresentou em Bruxelas, como o exemplo de sucesso. Exemplo que serviu às instituições europeias e ao FMI para atirar à cara dos gregos.

 

 

 

 

 

 

 

publicado às 22:57

Para entreter a classe média que paga impostos, o governo colocou ou vai colocar um simulador na sua conta fiscal. Assim, o contribuinte pode fazer as continhas a um possível alívio fiscal no ano que vem se o governo arrecadar mais receita fiscal do que o previsto. A esta probabilidade chamou o governo manhosamente crédito fiscal.


Mas o cinismo não se fica por aqui. O governo gaba-se de ter reduzido o desemprego saltando por cima do emprego destruído, do falso emprego, do subemprego, e da emigração.

E vai mesmo mais longe: não vai cortar nas pensões, a mesma promessa de 2011.

A pedra de toque foi a proposta de lei anti-corrupção, mais uma que foi chumbada pelo tribunal constitucional e que, segundo um jurista ouvido na Sic Notícias, consegue ser pior do que a proposta há uns anos pelos socialistas. De qualquer modo, o que importa é que os cidadãos fiquem com a ideia que a coligação se preocupa com a corrupção...


Se estivermos bem atentos, começamos a perceber que há omissões nos discursos de propaganda governamental. Já aqui referi uma: a composição da dívida.

Mas há mais: as privatizações; os negócios privados com recursos públicos; as falhas na supervisão bancária; as fraudes financeiras; a grande evasão fiscal...


Entretanto, a coligação governamental apresentou as listas das personagens que propõe para a assembleia da república, reforçando a ideia que a equipa fez um bom trabalho e merece continuar no poder.


As palavras-chave que iremos ouvir repetidas: confiança dos mercadosrecuperação económicaredução do desemprego; e, mais recentemente, prudência.


Também ouviremos, se quisermos: era uma vez um país que vivia acima das suas possibilidades. Era governado por um partido que nos levou à bancarrota e tivemos de ser salvos pela solidariedade europeia. Para ganhar a confiança dos mercados, tivemos de cortar nos salários, nas pensões, nos subsídios, na saúde e na educação, e subir os impostos. Agora já podemos começar a dar o que tirámos, mas às prestações.


Paradoxalmente, esta lógica dos benefícios da austeridade, do caminho certo, das continhas bem feitas, de pagar o que se deve, de não viver acima das nossas possibilidades, soa muito bem à cultura tradicional da classe média. A classe média que foi precisamente a que pagou a factura.

Hoje o que vemos? Uma pequena minoria cada vez mais rica e uma grande maioria cada vez mais pobre: as desigualdades sociais agravaram-se.

 

Não nos podemos admirar, pois, que haja uma enorme percentagem de indecisos a dois meses das eleições.

 

 

 

 

 

 

 

publicado às 22:48


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